domingo, 4 de outubro de 2009

Música Sacra através dos tempos.

Entreouvido num auditório de uma importante do interior paulista onde um grupo vocal acaba de testar a comunhão da platéia:
“Esse novo grupo está trazendo a música popular para a igreja. Música sacra era mesmo no dos discos dos Heritage Singers”.

Em um templo dos anos 80:
“Esses Heritage Singers são a cópia dos Carpenters. Música sacra mesmo era nos tempos de Henry Feyrabend e os Arautos do Rei”.

Em uma igreja dos anos 60:
“Esses que se dizem Arautos do Rei são uns arautos é da tradição dos quartetos de barbearia dos Estados Unidos. Música sacra mesmo existiu nos tempos de Ira Sankey”.

Em um acampamento de reavivamento durante a Grande Depressão em 1929:
“Agora temos que cantar essas valsas de Ira Sankey. Só ouvi música sacra quando cantávamos os hinos de Lowell Mason”.

Em encontro de ministros de música americanos em 1890:
“Esse Lowell Mason imita a tradição européia daqueles músicos maçons. Bom mesmo é quando adaptávamos as canções tipicamente americanas de Stephen Foster”.

Em uma congregação na Chicago de 1860:
“Como podemos adorar com esse piano de cabaré e estas canções adaptadas do teatro de Stephen Foster? Ah, como era bom quando erguíamos nossa voz ao som dos hinos dos irmãos Wesley”.

Em uma sobre música em 1800:
“Irmãos, abandonemos esse cancioneiro popularesco dos Wesley e adoremos com os antigos e sacros hinos do doutor Isaac Watts”.

Nos cultos dos recém-independentes americanos em 1776:
“Essas notas do irmão Watts ferem os ouvidos mais convertidos. Música sacra eram apenas os salmos de João Calvino. Oh, que belos hinos se cantam lá na Europa”.

Em uma igreja luterana alemã do século 1730:
“O novo organista, o tal Bach de quem falam, tem um estilo um tanto ultrapassado e escreve notas demais nas suas cantatas. Por que ninguém compõe mais como Lutero?”

Em um concílio eclesiástico no século XVI:
“Esse Lutero destruiu a beleza da santidade da . Agora o povo anda a cantar melodias de cavaleiros”.
“E, como se não fora o bastante, cantam em língua de homens! Por isto e muito mais, excomunguemo-lo”.

Do lado de fora do templo de Salomão recém-inaugurado:
“É, a música é decerto boa. Mas o pai dele escrevia letras mais sacras”.
“Davi? Qual o quê! Fomos obrigados a cantar salmos com a melodia de ‘Os lírios’ ou de ‘Os lagares’, lembra?”.
“É que as pessoas aprendem um cântico novo mais rápido quando já conhecem a melodia”.
“Aquietem-se, os dois! Vós sois jovens em demasia. Se a ciência já tivesse se multiplicado eu vos mostraria uma gravação do dos cânticos de Moisés. Aquilo, sim, é que era a verdadeira música sacra”.

Sobre o Autor: Joêzer Mendonça

Pianista e compositor do Curitiba Coral/IASD-Central, é também arte-educador e Mestre em Música pela UNESP. Edita o blog Nota na Pauta, onde escreve sobre atualidades e antiguidades relacionadas à mídia, cultura e religião.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

“Haverá Gritos com Tambores…” Bateria? O que Ellen White realmente disse ?


“Haverá gritos com tambores, música e dança…”. Esta frase faz parte da citação mais usada nos comentários feitos pelos internautas que leram artigo de Michael Tomlinson: “Música Contemporânea Cristã é Música CRISTÔ. Foi escrita por Ellen White. E do jeito que está sendo colocada, faz surgir questionamentos assim: “Se a igreja usa instrumentos de percussão, ela está de acordo com a Bíblia? Caso a resposta seja ‘sim’, então Ellen White teria ido contra as Escrituras, com sua citação sobre tambores no texto de Mensagens Escolhidas, volume 2, página 36?”. É sobre isto que você vai ler aqui.

Começando do Começo

Foi Deus, o Criador da música, quem criou, também, os tambores. Ezequiel 28:13 (Almeida, Revista e Corrigida), comentando sobre a criação e o ministério celestial pré-queda de Lúcifer, diz: “Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura: a sardônia, o topázio, o diamante, a turquesa, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro; a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti; no dia em que foste criado, foram preparados.” Segundo Siegried J. Schwantes, em seu livro “Comentário Sobre o livro de Ezequiel” comentaristas cristãos, desde o início, viram nesta descrição do rei de Tiro uma descrição velada de Lúcifer. O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia (nas próximas vezes sempre citado como SDABC), apoiando-se no Espírito de Profecia, menciona que uma vez que aqui está falando de instrumentos musicais, “isto relaciona-se a Lúcifer, que foi o diretor dos corais no Céu”. E dentro do próprio texto de Ezequiel contra Tiro é possível identificar que ele está realmente reportando-se, também, a itens musicais (Ezequiel 26:13).

Para a palavra “tambores” que aparece em Ezequiel 28:13, no original hebraico a palavra é “toph”, que significa literalmente “pandeiro” ou “tamborim”. O SDABC explica que trata-se de um tamborzinho portátil. É a mesma palavra usada para designar o instrumento que Miriam usou no canto de louvor ao Senhor após a travessia do Mar Vermelho (Êxodo 15:20), os instrumentos usados pelos profetas de Deus por ocasião da unção e do batismo do Espírito Santo recebidos pelo primeiro rei de Israel (1Samuel 10:15), o instrumento que Davi usou perante o Senhor sem receber dEle reprovação nenhuma (2Samuel 6:5), o instrumento que os filhos de Asafe recomendam usar no louvor ao Senhor (Salmo 81:2) e também o que o salmista recomenda usar no louvor que acontece “na assembléia dos fiéis (Salmo 149:3 e 2)”.

Diante disso, como poderia Ellen White ter uma posição radical e condenatória em relação ao tambor, se esse instrumento musical foi criado num contexto sem pecado?

Responderemos aos questionamentos a respeito do texto do livro “Mensagens Escolhidas” analisando, primeiramente, alguns princípios importantes sobre a música. Assim o texto poderá ser mais bem compreendido, em seu contexto.

Alguns Conceitos de Ellen White sobre Música

1) Para ela, a música sempre teve um propósito santo: “Fazia-se com que a música servisse a um santo propósito, a fim de erguer os pensamentos àquilo que é puro, nobre e edificante, e despertar na alma devoção e gratidão para com Deus”. Patriarcas e Profetas, pág. 594.

2) Ellen White considerava a música tão importante quanto a oração: “Como parte do culto, o canto é um ato de adoração tanto como a oração. De fato, muitos hinos são orações…” Educação, pág. 168.

3) Tal autora gostava de qualidade: “… A música deve ter beleza, emoção e poder…” Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 457.

4) Segundo White afirma, o louvor só é aceito por Deus se a vida de quem canta é consagrada: “A música só é aceitável a Deus quando o coração é consagrado, e enternecido e santificado por sua docilidade. Muitos, porém, que se deleitam na música não sabem coisa alguma sobre produzir melodia ao Senhor, em seu coração. Estes foram ‘após seus ídolos (Ezequiel 6:9)’.” Carta 198, 1899. Ela também nos conta que a música fazia parte da vida de Jesus: “Jesus entretinha em cântico comunhão com o Céu”. O Desejado de Todas as Nações, pág. 73. A Bíblia confirma que Cristo gostava de cantar: “E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.” Mateus 26:30.

5) A Sra. White era a favor do uso de instrumentos, sem classificá-los seletivamente: “Seja introduzido na obra o talento do canto. O emprego de instrumentos de música não é de modo algum objetável. Os mesmos eram usados nos cultos nos tempos antigos. Os adoradores louvavam a Deus com harpa e com címbalos, e a música deve ter seu lugar em nossos cultos. Isto acrescentará o interesse nos mesmos.” Evangelismo, pág. 150.

6) Ela dizia que os instrumentos não devem ser tocados de qualquer jeito: “Nas reuniões realizadas, escolha-se um grupo de pessoas para tomar parte no serviço de canto. E seja este acompanhado por instrumentos de música habilmente tocados.” Testimonies, vol. 9, págs. 143, 144; Citado no Manual da Igreja, ano 2000, pág. 72. Entretanto, a melodia da voz é mais valiosa que todos os instrumentos: “A voz humana que entoa a música de Deus vinda de um coração cheio de reconhecimento e ações de graças, é incomparavelmente mais aprazível a Ele do que a melodia de todos os instrumentos de música já inventados pelas mãos humanas”. Carta 2C, 1892.

7) A irmã White afirmou que há músicas que desagradam a Deus e profetizou que, nos últimos dias, a música será usada de maneira errada para nos afastar do Criador: “Exibição não é religião nem santificação. Coisa alguma há, mais ofensiva aos olhos de Deus, do que uma exibição de música instrumental, quando os que nela tomam parte não são consagrados, não estão fazendo em seu coração melodia para o Senhor. A mais aprazível oferta aos olhos de Deus, é um coração humilhado pela abnegação, pelo tomar a cruz e seguir a Jesus. Não temos tempo agora para gastar em buscar as coisas que agradam unicamente aos sentidos. É preciso íntimo esquadrinhar do coração. Necessitamos, com lágrimas e confissão partida de um coração quebrantado, aproximar-nos mais de Deus; e Ele Se aproximará de nós.” Review and Herald, 14 de novembro de 1899.

“As coisas que descrevestes como ocorrendo em Indiana, o Senhor revelou-me que haviam de ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo.

“O Espírito Santo nunca Se revela por tais métodos, em tal balbúrdia de ruído. Isso é uma invenção de Satanás para encobrir seus engenhosos métodos para anular o efeito da pura, sincera, elevadora, enobrecedora e santificante verdade para este tempo. É melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que, foi-me apresentado em janeiro último, seria introduzida em nossas reuniões campais. A verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de converter almas. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma bênção. As forças das instrumentalidades satânicas misturam-se com o alarido e barulho, para ter um carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo… Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música, a qual, devidamente dirigida, seria um louvor e glória para Deus. Ele torna seu efeito qual venenoso aguilhão da serpente.” Mensagens Escolhidas, vol. 2, págs. 36, 37.

E é da leitura da frase “Haverá gritos com TAMBORES, música e dança…”, no primeiro parágrafo deste último texto, que surge o questionamento sobre o uso de instrumentos de percussão.

Esse Texto foi Redigido Para Condenar a Bateria?

No texto supracitado (onde destacamos os tambores) ela estaria atacando a bateria, como pensam alguns? Se o estiver, está atacando os gritos, a bateria, a dança e A PRÓPRIA MÚSICA também, pois as quatro coisas estão no mesmo contexto!

Logo, chegamos a outra pergunta: Foi somente o uso do instrumento de percussão que Ellen White condenou sobre a adoração em Indiana, no final do século 19? A resposta é óbvia: Ela não estava fazendo um documento sobre um instrumento musical em si, nem mesmo sobre a música somente. Estava analisando o todo de um contexto de adoração, e nesta análise, na mesma frase, ela não condenou somente os tambores, mas também os gritos, as danças e a música. Portanto, para sermos coerentes, se fôssemos eliminar os tambores baseados somente nesta frase, deveríamos eliminar também até a própria música, pois “música” é um dos quatro itens da frase. Isso é um próprio argumento dela, no mesmo texto, quando escreveu: “é melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que, foi apresentado em janeiro último…” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 36).

É importante ressaltar que ela está preocupada com a soma de todas essas coisas. Logo, se quando a bateria estiver sendo usada na sua igreja, estiverem também ocorrendo danças e gritos, tal adoração musical estará chegando perto da preocupação de Ellen White. Mas o problema é que a soma não era apenas desses quatro itens. Tem mais.

Olhando o texto como um todo, temos que ser honestos em admitir que Ellen está sendo contra os cultos BARULHENTOS com qualquer tipo de instrumento e danças (que não são relacionadas àquelas danças praticadas pelos hebreus). Precisamos ter cuidado para não fazermos Ellen White dizer o que queremos, e muito menos achar que a música é uma questão de pouca importância, pois o Diabo se aproveitará dela para levar muitos à perdição eterna!

O que White condenou foi um contexto litúrgico que, por sua ideologia, levava à maneira errada como a música foi usada. “Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma benção” (Idem). Veja como aquele culto era diferente do que têm sido os nossos cultos: “Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música…” (pág. 37). A preocupação deste texto vai ao sentido de que (antes de nos preocuparmos em julgar determinada música ou instrumento) a primeira análise é observar se está havendo algazarra e confusão na execução de tal adoração musical. Veja a continuação da mesma frase citada acima: “…tal música, a qual, se devidamente dirigida, seria um louvor e glória para Deus” (Idem). Logo, o problema não era a música, mas o modo de conduzir, não somente ela, mas todo o contexto de adoração. “Satanás fará da música um laço, pela maneira que é dirigida” (pág. 38), e não por que é acompanhada por instrumento de percussão.

Aquilo que poderia ser usado para o bem, passou a ser usado para o mal. O instrumento de percussão, que por si mesmo não tem nada de mal, só teve a infelicidade de estar fazendo parte do mesmo contexto onde se fazia presente uma lista enorme de coisas erradas. Leia o texto de forma mais ampla, no volume dois do “Mensagens Escolhidas”, páginas 31 a 39. Você verá que no problema da condenação também estavam as doutrinas falsas, o fanatismo, o espiritismo, a excitação (estase), o perfeccionismo (doutrina dos hereges pós-lapsarianos), a heresia doutrinária conhecida como “carne santa”, os pulos, os tumultos, as mentes desequilibradas, as loucuras, os falsos movimentos, etc. Nota: o pós-lapsariano crê que a natureza de Jesus era igual à de Adão após a queda. Logo, de acordo com tal crença distorcida, se Ele, um homem de natureza caída, viveu sem pecado, nós temos que viver absolutamente sem pecado também. Isto é contrário ao que a Bíblia ensina sobre santificação e salvação. E por incrível que pareça, os hereges pós-lapsarianos carregam consigo, até hoje, uma forte ênfase na preocupação com os assuntos musicais na adoração. E adoração misturada com heresia é um caso sério.

Na página 37, a autora diz que “nenhuma animação deve ser dada a tal espécie de culto”. E aqui cabe uma pergunta: Será que ela queria também eliminar os cultos da igreja? É aí que percebemos que um mesmo instrumento pode ser benéfico ou maléfico. Seria então justo aplicar tal condenação textual para o nosso contexto atual de cultos? Os nossos cultos são uma soma de gritos com tambores, dança, música, heresias doutrinárias, fanatismo, espiritismo, excitação, pulos, tumultos, presença de mentes desequilibradas, loucuras e falsos movimentos? Se sim, não devemos tirar só os tambores de tais cultos, mas sim sair correndo dos cultos, com tambores e tudo!

Alguém poderia dizer: “Bem, ainda não chegamos lá, mas o tambor é o primeiro item nesta direção, por isso devemos evitá-lo.” Se este argumento for válido, a coerência exige, então, que também digamos: “Ainda não chegamos lá, mas a música é o primeiro item nesta direção, por isso devemos evitá-la.”

Então, o que Este Texto Quer nos Dizer?

Precisamos dar o sonido certo à interpretação desse texto para não corrermos o risco de colocar Ellen White contra a própria Bíblia. Nesse verso, a preocupação da Sra. White é com a doutrina da “carne santa”. O movimento fanático chamado “carne santa” afirmava ser possível viver nesse mundo de pecado e nunca mais pecar. Sabemos que essa era a condenação do texto que Ellen White escreveu, pois se perguntássemos a ela: “Sra. White, é possível viver nesse mundo de pecado e nunca mais pecar?”, ela nos responderia que o ensino dado com relação ao que é denominado “carne santa” é um erro. Segundo ela, se esse aspecto de doutrina fosse levado um pouco mais longe, conduziria à pretensão de que seus defensores não podem pecar; de que uma vez que tenham a “carne santa”, suas ações são todas santas. Ainda segundo a autora, todos podem obter agora corações puros, mas não é correto pretender, nesta vida, possuir a carne santa. Ainda no livro Mensagens Escolhidas, neste mesmo capítulo, ela menciona que nossa confiança não está no que o homem pode fazer, mas sim, naquilo que Deus pode realizar pelo homem, por meio de Cristo. E comentando sobre o mesmo assunto, nos Testemunhos Seletos, vol. 1, pág. 114, ela deixa claro que a santificação não é obra de um momento, uma hora ou um dia. É um contínuo crescimento na graça. E enquanto Satanás reinar (até a volta de Jesus), precisaremos subjugar o próprio eu, teremos assaltos malignos a vencer e não haverá lugar de parada – nenhum ponto a que possamos chegar e dizer que atingimos plenitude (Filipenses 3:13-16).

E, quando nos desarmamos dos nossos pressupostos para receber a pura mensagem do sentido hermenêutico correto da interpretação deste texto de Ellen White, que está no livro Mensagens Escolhidas (onde ela cita os tambores), olhando para o texto como um todo, temos que admitir que ela não está discutindo música, e sim a doutrina da salvação e o espírito de adoração. Por isso, é lamentável ver como algumas pessoas que querem defender opiniões pessoais tiram um pedaço do texto do seu contexto e colocam na boca do profeta aquilo que ele não tinha em mente, de modo a expor a igreja como se ela estivesse numa grande confusão. Como diz o ditado: “um texto fora do contexto é um pretexto”.

Observação Etimológica

Muitos que tentam relacionar este texto de Ellen White com o moderno instrumento de percussão chamado “bateria”, recorrem ao uso da palavra inglesa “drum”. Pois, se para o que aparece como “tambores” no texto original em inglês é a mesma palavra inglesa – “drum” – para designar o instrumento que em português seria “bateria”, então Ellen White estaria falando especificamente do instrumento.

Acontece que, no contexto deste texto de Ellen White, “drum” jamais pode ser traduzido por “bateria”. Por quê? É simples: A coleção de instrumentos musicais de percussão agrupados para um só instrumentista (percussionista, baterista) executar, que hoje é conhecida como “bateria” (“drum” em inglês), demorou mais de duas décadas para ser inventada, depois que Ellen White escreveu seu texto. Sim, a invenção da bateria aconteceu após 1910.

Mas duas décadas antes, a palavra “drum” já existia, significando outra coisa. O “drum” daquela época é o que conhecemos hoje por “bumbo”. Esse tambor grande, usado em fanfarras militares, escolares, de desbravadores, escoteiros, etc. Era ao mau uso deste tambor grande que Ellen White estava se referindo, justamente pelo fato de ele sozinho e mal tocado produzir um som retumbante, que logicamente atrapalhava o bom andamento das reuniões em Indiana.

Discrição e Moderação

Percebemos que uma boa recomendação, no nosso contexto de igreja até o momento, é a de que, se desejada e necessária, a bateria seja usada, de forma adequada (sem tirar a atenção da letra, sem um volume excessivo que agrida os ouvidos, sem deixar que os sons da marcação rítmica sobressaltem-se à melodia ou à harmonia, sem despertar sentimentos exibicionistas, etc.), inclusive em playbacks. A Bíblia tanto aconselha, também, o uso de instrumentos de percussão (Salmo 150:3-5) quanto cita exemplos de que os mesmos eram usados no serviço de adoração da casa de Deus (1Crônicas 25; 2Crônicas 29:25). Cada uma das palavras “címbalos”, “liras” e “harpas” que aparecem em 2Crônicas 29:25 não se referem exatamente a um (ou, no caso da soma, três) instrumento, mas sim, a uma ordem, classe, de instrumentos. Portanto, uma boa tradução deste verso ficaria assim: “O rei posicionou os levitas no templo do Senhor com instrumentos de percussão, instrumentos de sopro e instrumentos de cordas… conforme ordenado pelo Senhor, por meio dos seus profetas”. Ellen White também diz que “não devemos opor ao uso de instrumentos musicais em nossa obra (Testimonies, vol. 9, págs. 143 e 144; citado no Manual da Igreja, edição revisada em 2000, pág. 72)”. Bateria é um instrumento musical.

É importante sermos conscientes que pode acontecer de, em determinados contextos sociais, a presença física e visível desse instrumento dentro da igreja ser negativa, na visão de alguns. Pode ser que a bateria esteja com sua imagem muito deturpada na mente de determinados crentes. Neste caso, talvez eles possam fazer uma associação mental com os shows mundanos, ao ponto de ter sua adoração atrapalhada. Se for assim, talvez seja melhor evitar a presença física de tal instrumento dentro do templo, apenas para que não haja um ruído de comunicação causado pelo visual. Isso ajudaria, didaticamente, a alguns destes irmãos mais fracos firmarem-se no sentimento de que preservamos nossa identidade e de que não desejamos causar escândalo entre a membresia. Esse princípio de evitar o escândalo está em Romanos 14:21, 22 e os filhos de Deus irão segui-lo: “É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar [ou se ofender ou se enfraquecer]. A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova.”

Também devemos considerar que sons percussivos (marcação do tempo da música) indefinidos (que não dão a marcação no tempo certo) podem não ser tão eficientes no que queremos comunicar numa adoração a Deus. Por isso, é bom que como igreja não tenhamos a intenção de usar instrumentos de percussão com “sons percussivos indefinidos”. O som da bateria precisa ser usado corretamente, pois os sons percussivos marcados no tempo correto, do jeito certo, não atrapalham em nada a adoração. Em todo e qualquer instrumento pode haver percussão! Aliás, todo e qualquer som é percussivo, mas “até no caso de coisas inanimadas que produzem sons, tais como a flauta ou a cítara, como alguém reconhecerá o que está sendo tocado, se os sons não forem distintos? (1Coríntios 14:7)”.

Amigo, se um dia Deus quiser que a presença física do instrumento faça parte da coleção de utensílios usados dentro da igreja que você frequenta, Ele o revelará. Enquanto isso, vale a prudência em respeitarmos a opinião de todos (sem escandalizar os demais – 1Coríntios 10:32, 33) tendo a consciência de que qualquer instrumento (bateria, violão, piano ou guitarra) pode ser uma bênção ou maldição. Dependerá do uso que faremos de tais instrumentos na adoração.

Avalie a música especialmente pelo que ela produz em você (em nível de sentimentos) e veja se os pensamentos que ela irá despertar em você são os de Filipenses 4:8: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”

Pastor Valdeci Junior e Jornalista Leandro Quadros

Música Cristã Contemporânea é Música CRISTÃ.


Um papo aberto sobre a função da música contemporânea na igreja de hoje

“Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os habitantes da terra; dai brados de alegria, regozijai-vos, e cantai louvores. … exultai diante do Rei, o Senhor” (Salmo 98:4-6).

A música – tópico polêmico no atual panorama do cristianismo – é, também, um assunto de tempero forte dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Nada inflama as paixões dos crentes mais que a “dignidade” ou a “falta de dignidade” desse ou daquele tipo de música. Infelizmente, deixa-se passar por alto a realidade de que fatores como gosto pessoal, cultura, educação, estilo de vida e inúmeros outros podem ditar a preferência musical de uma pessoa. Portanto, muitos membros da igreja que são sinceros, porém dogmáticos, podem estar tomando determinada posição mais por opiniões pessoais que por princípios bíblicos.

A música é comum a todos os povos, classes e culturas. Por ela, cada sociedade compartilha de um tipo de apreciação. E os tipos de música são notoriamente diversos, de fato. Mas tudo é música do mesmo jeito. Então, por que o assunto da música é tão controvertido? Por que, de forma frequente, a intolerância, proeminentemente, se assenta na fileira da frente, quando a música começa a tocar? Por que uma forma de música é aceita hoje, se para uma ou duas gerações atrás ela era “barulho demoníaco, desviando as pessoas de Deus”?

Dan e Peter Stevens, autores de “Por que derrubar o Rock?” (Why Knock Rock?), declaram: “Assim como uma língua … a música tem a capacidade de se comunicar somente com a cultura que a produz. Ela geralmente confunde quem está de fora, assim como pessoas de idiomas diferentes, algumas vezes, são vítimas de mal-entendidos e frustrações em virtude de falhas de comunicação. Isto ocorre com música ou diferentes gerações” (Dan Stevens and Peter Stevens, Why Knock Rock? (Minneapolis: Bethany House Pub., 1994).

Simplificando, as pessoas gostam do que elas gostam. Se algo soa estranho ou diferente, então, para muitos, “é do diabo”. Mas espere um minuto! Só porque eu não gosto de alguma coisa ou porque tive alguma experiência negativa com ela, isso não a torna pecaminosa ou maligna. Quando eu estava no Ensino Médio, me machuquei num acidente com esqui aquático no mar. Até hoje não pratico mais esqui aquático. Portanto, praticar esqui aquáticoé errado? Não, só não é meu esporte favorito.

As Zonas de Conforto Variam

Será que alguns líderes de igreja denunciam o “rock” cristão porque eles não o entendem ou, talvez, porque estejam cegados de preconceitos oriundos de sua geração ou preferência pessoal? Não há dúvida de que eles sejam líderes íntegros! Mas integridade não pode ser algo que leve os jovens adventistas a rejeitarem a religião simplesmente pela falta de uma forma legítima de expressar sua própria identidade cristã. Como aconteceu com Davi, não deveria ser permitido à atual geração de adventistas o ato de “lutar com sua própria armadura”?

Ao dizer tudo isso, não estou promovendo “rock and roll”. Só estou defendendo uma forma legítima de fazer música cristã e dar o testemunho da fé em Jesus. Creio que a música, em si mesma, é destituída de qualidade moral, tanto para o bem quanto para o mal. A questão tem mais a ver com o emprego da música que com a música propriamente dita. Paul Hamel, um músico adventista conservador, faz a aplicação à neutralidade da música instrumental quando ele escreve o seguinte, em Adventists Affirm: “Talvez nenhuma linha melódica seja de herança maligna, ou uma harmonia de quatro partes inaceitável. Eu não tenho como conceber uma série de acordes que seriam, em si mesmos, objetáveis”. Embora, aqui, Hamel seja tão verdadeiro, por outro lado, ele toma uma posição inconsistente quando lida com a música rock cristã, considerando-a “incabível na igreja, não importando quão ortodoxa seja sua letra”, por causa de sua associação com “tipos de comportamentos não cristãos e inaceitáveis”.

Padronização Dúbia?

O problema é que, de certo modo, Hamel não aplica o mesmo padrão para a música secular clássica que tem, também, suas raízes e suas associações não cristãs. Tome, por exemplo, a marcha nupcial de Lohengrin, uma ópera libreto que ele reconhece ser “baseada em conceitos longe dos ideais cristãos”. Ainda assim, ele declara: “Embora não tenha sido criada com um propósito sacro, ela é uma música que foi artisticamente composta, em contraste com o que é ocasionalmente ouvido em nossas igrejas hoje em dia” (Paul Hamel, Adventist Affirm, Fall 1991). Evidentemente, ele considera que músicos cristãos contemporâneos tais como Amy Grant, Russ Taff, Ray Boltz e David Meece (formado na Juilliard, renomada escola de música e artes em NY, EUA) sejam algo menos que “compositores artísticos”. Mas, baseado em quê? A única resposta possível é “gosto pessoal”.

A música pode ser boa ou má dependendo do seu uso. Considere como os nazistas tocavam a música de Wagner para acalmar as emoções das suas vítimas de câmara de gás, enquanto estas marchavam para a morte. A música usada para o mal produz resultados malignos, mas não é por isso que a gente vai “jogar o bebê fora, junto com a água da banheira”. Eliminar as raízes seculares da música cristã significaria dizer adeus aos hinos de Martinho Lutero, cuja musicalidade foi emprestada das músicas folclóricas seculares alemãs. Bernard de Clairvaux, um cristão do século XII, colocou a letra de “Oh! Fronte Ensangüentada” [Hinário Adventista, 65] numa música de uma dança germânica. E do atual “Hinário Adventista do Sétimo Dia”, vários hinos teriam que sair porque foram baseados em canções seculares contemporâneas de seus dias.

Seria possível dizer que todos os nossos hinos tenham sido significativamente influenciados pela música de seus dias? Seria muito bom conceder, aos atuais cristãos, um pouco mais de latitude para pensar e agir por si mesmos, no exercício da harmonização das suas preferências musicais com as suas próprias consciências. Sejam quais forem os nossos caprichos musicais, vamos nos lembrar que a nossa juventude tem o direito à sua própria preferência também. A despeito de como nos sintamos em relação à música cristã contemporânea, ela é música CRISTÃ.

Diferente do Rock Secular

A música cristã contemporânea se difere do rock secular em quatro áreas principais: letra, estilo de vida, objetivos e estética visual. Em cada uma dessas áreas, o artista cristão procura exaltar a Jesus Cristo e/ou o estilo de vida cristão. Para milhões de pessoas, essas músicas têm sido benéficas na manutenção da sua caminhada com Cristo e do contínuo estado de oração defendido em I Tessalonicenses 5:17.

Barbara Jepson, escrevendo no Wall Street Journal, observa: “A questão, eu penso, não é se essa mistura do sacro com o secular é inapropriada, mas quão efetivamente ela funciona. Como sou uma jornalista musical e, ao mesmo tempo, cristã, tenho três critérios: De alguma forma, o conteúdo espiritual me encoraja, exorta ou conforta? Segundo, a música é atraente? Finalmente, a música combina com a letra…?” (Barbara Jepson, “Pop Music for the Young and Pious”, Wall Street Journal, Jan. 6, 1993). E ela prossegue mostrando como a música cristã contemporânea amplamente se encaixa nesses requerimentos espirituais tão fielmente como qualquer outro tipo de música cristã tradicional.

Pela contemplação, nós somos transformados (veja 2Coríntios 3:18). Aqueles que enchem suas mentes com mensagens seculares, positivas ou negativas, invariavelmente se tornarão mais seculares. Entretanto, aqueles que ouvem música cristã contemporânea estão enchendo suas mentes com uma mensagem cristã. E isso, somado a uma fiel vida devocional, termina resultando em frutificação espiritual. Mas, para muitos jovens adventistas, as formas tradicionais ou antigas de louvor a Deus simplesmente “não colam”. É algo que, nada mais nada menos, não lhes dá uma comunicação com a qual possam identificar-se. E, com certeza, isso não é porque eles teriam sido “corrompidos pelo mundo”, como alguns prefeririam definir sem pensar.

No começo dos anos 70, Bob Larson, um ex-músico de rock secular e DJ, condenou a música rock cristã. E, de fato, ele é a fonte mais frequentemente citada por adventistas que desejam denegrir a música cristã contemporânea. Infelizmente, eles citam o Larson do passado. Nos anos 80, depois de entrevistar músicos, ouvi-los e estudar o rock cristão, Larson mudou de ideia. Depois disso, passou a endossar, avidamente, esse tipo de música como uma alternativa cristã saudável.

Jovens que abandonam “Guns ‘n Roses” ou “Red Hot Chili Peppers” por Cristo, precisam de uma alternativa saudável e jovem: música de boa qualidade que lhes dê motivação positiva e lhes fale do amor de Jesus. Se forçados a engolir a música de uma geração passada, da qual eles não gostam, eventualmente se voltarão contra ela – e contra a igreja, que os roubou de sua verdadeira geração e de seu significado pessoal.

Evangelismo Contemporâneo Cristão

Os jovens de hoje, principalmente os adolescentes, vivem com a música. É a paixão deles. Para alguns, é a sua vida. A compreensão do que isso significa pode nos dar um forte grau de cuidado, quando somos tentados a tentar alcançar a juventude com a música religiosa dos anos 40, 50 ou até mais antiga ainda. Seria errado que um evangelista jovem recrutasse bons cantores adventistas com modos contemporâneos e fizesse uma campanha voltada a um público de adolescentes e jovens de até 30 anos? Billy Graham destaca que 85% de todas as conversões para Cristo acontecem entre aqueles que têm até 18 anos. Com tudo isso em mente, se tal campanha fosse realizada numa cultura contemporânea, será que ela teria algum tipo de sucesso sem o uso de uma música contemporânea cuidadosamente escolhida?

A música cristã contemporânea é uma forma de traduzir a mensagem adventista do sétimo dia para uma linguagem que será compreendida pela geração presente. Se os músicos adventistas pudessem desfrutar do apoio dos líderes da igreja quando expressam as três mensagens angélicas de um jeito mais contemporâneo, veríamos um crescimento tanto no ganhar como no manter os jovens na igreja. Se pudéssemos ter a garantia da liberdade de expressão, incontestavelmente, estancaríamos a corrente hemorrágica da igreja que perde seus jovens.

Pastor Michael Tomlinson

Fonte: www.ministrymagazine.org

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Andy McKee - Toca muito mais que apenas as cordas...

Sexta-Feira, 02 de Janeiro de 2009.

O que foi que eu fiz hoje? Karaca, nada? Certamente alguns assim descreveriam meu dia.

Não... hoje acordei tarde, e saí rumo ao encontro de amigos! Afinal de contas, estamos no segundo dia do ano, e não há nada melhor para começar o ano do que em companhia daqueles que se ama! Fica aqui registrado um abraço ao saudoso José Luis e a Josi, e claro, para seus pais, seu Zé, e dona Cida!

Certas pessoas tem a capacidade, ou melhor, o sagrado dom de encontrar a alegria nas coisas simples desta vida. Bom é poder aprender a descobrir a felicidade nos detalhes, para prosseguir rumo aos ousados planos! Quem não estuda nessa escola, definitivamente nunca encontrará ao sucesso!

"Felizes aqueles que conseguem extrair algo do nada." A princípio parece ser abstrato e contraditório, mas tenho certeza que lido aos olhos desarmados de crítica há de se ver um sentido!

Até onde você pode ir ?

Posso não ser insuperável, mas tenho forças para me levantar sempre que caio. Minhas decisões nem sempre trazem-me a glória, mas acredito em minhas convicções para encontrar o caminho. 

Já chorei de alegria e de tristeza. Presenciei a vida e a morte, tive em minhas mãos coisas simples e fortunosas, e também coisas complexas e medíocres. Acreditei no erro tendo-o como verdade. Aprendi a esperar antes de dar uma sentença, e a me calar e ouvir antes de tirar conclusões. Sei que já imprimi sorrisos, mas também senti dor ao provocar lágrimas em alguém.

Aprendi a respeitar a individualidade das pessoas, a entender que todos são diferentes, e ao mesmo tempo, iguais. Aprendi a ser forte nos momentos difíceis, mas também aprendi ser forte para ser humilde, pedir desculpas e começar novamente. Não posso dizer que não me arrependo de nada, porquê aprendi com meus erros, mas sei até onde posso conviver com meu passado sem afetar meu futuro.

by Edson - 26/12/2008

Obrigado Senhor por me permitir ser.